segunda-feira, 19 de outubro de 2015

35 Anos do Making Movies






Último dia 17 de Outubro foi o aniversário de 35 anos do terceiro álbum do Dire Straits, Making Movies.

Este álbum um divisor de água na sonoridade da banda, timbres novos, novas estruturas e propostas musicais, a partir daqui os teclados entram de forma definitiva na banda. Duas coisas que gostaria de destacar nesse momento relacionando a esse álbum: 1- o Riff de Expresso Love é uma das coisas mais Dire Straitsana que existe, aquilo é identidade pura, (assim como o desenho das escalas knopflerianas  usadas em Waterline, SOS, Lady Writer, Telegraph Road). 2- A turnê deste álbum- 80/81 é sem dúvidas no mínimo curiosa, devido ao caráter experimental, novos arranjos para as canções dos dois primeiros álbuns como Angel of Mercy, News, Down to the Waterline, Lions e Where do you think you are going. Single Handed Sailor e In the Galley são definitivamente uma outra experiencia também nessa turnê! ^^


Eu poderia escrever acerca das conquistas da banda com o sucesso desse álbum, porém, evitando o óbvio e valorizando pontos mais obscuros, vou abordar os seguintes aspectos:

Quando se fala do Making Movies, umas das coisas que podemos pensar é: "Foi nas gravações desse álbum que o David saiu do Dire Straits"!

Como vocês sabem, o MM foi gravado entre Junho e Agosto de 1980. Quando David deixou a banda, o álbum não estava 100% concluído, (Oficialmente, David anuncia sua separação do Dire Straits em 25 Julho 1980). As razões de sua saída hoje são mais conhecidas, ele estava cansado de demasiadas turnês entre 1977 e 1979, bem como não estava de acordo com o direcionamento que a banda estava seguindo, contudo, o fato que mais pesou para sua saída, sem dúvidas, foi o de que a banda se convertera em um veículo exclusivo paras as canções de seu irmão mais velho, fazendo com que David eclipsasse na banda, de maneira que nunca foi publicada uma canção de sua autoria em qualquer álbum do DS, no máximo, foi tocada ao vivo em alguns shows na segunda turnê americana em 1979, caso da canção Bernadette. Lembremo-nos que quando eles gravaram a famosa fita demo havia uma canção de autoria de David Knopfler que até hoje nunca veio a luz, chama-se Sacred Loving. Até mesmo nas gravações dos dois primeiros álbuns Mark Knopfler chegou a fazer mais de duas guitarras, deixando muitas vezes as partes de DK em terceiro plano em algumas canções. Então percebemos que há um histórico de "secundarização" direcionado ao trabalho de David Knopfler, só havia dois caminhos para este, ou seguir as coordenadas de seu irmão, ou fazer o que ele corajosamente fez, sair em busca de seus próprios sonhos.

 A saída de David Knopfler configurou-se em uma inevitável mudança sonora, uma coisa é ouvir Solid Rock, com David como podemos conferir com a Demo de Solid Rock:



Ao vivo em 1979




Outra coisa é a versão sem ele, estúdio:





Ou até mesmo Les Boys ao vivo ainda em 1979







Duas experiências, dois sabores, dois molhos...

Com sua saída muitos acreditavam (inclusive eu, há muito tempo) que com a saída de David, Mark Knopfler fez as duas guitarras no Making Movies, só que essa informação não é verdade!


 Mark realmente tinha retirado as participações de David nas músicas que ele havia trabalhado enquanto ele ainda estava na banda, só que a essa altura, a banda estava no no Power Station studios, em New York e Mark convocou o guitarrista (Sid McGinnis) para as sessões em NY. Só que estranhamente seu nome não consta no encarte do Making Movies (LP e CD), não faço a menor ideia por qual razão, creio que por isso criou-se essa ideia de que Mark fez as duas guitarras no Making Movies.

O Sid McGinnis está naquele vídeo de Expresso Love, no David Letterman show, New York, USA, 30th September 1985, não tenho certeza, mas me parece que ele participava da banda do programa.

Sid McGinnis participou de de vários álbum de artistas famosos como>> Peter Gabriel, Bob Dylan, David Bowie, Paul Simon... além do Dire Straits, quem quiser ver mais sobre ele é só ir no wikipedia.

O fato é que Knoplfer buscava nesta altura uma sonoridade completamente diferente dos dois primeiros álbuns, algo que não o tachasse de soar sempre como JJ. Cale, para isso, ele entrou em contato com nomeado produtor Jimmy Iovine  que tinha trabalhado com  Bruce Springsteen no álbum Born to Run e Darkness on the Edge of Town. O tecladista Roy Bittan da própria E Street Band de Springsteen foi recrutado para dar o "ar da graça" nas novas canções do Dire Straits, o cacabamento que Roy Bittan deu nas canções foi fundamental para trazer paisagens evocativas de poder cinematográficos, tal qual vemos em basicamente todo álbum.

Outro ponto importante que vale a pena destacar, pois documenta muito bem esse momento da banda é o BBC Arena 80, documentário que considero fundamental para qualquer fã do Dire Straits assistir.  Neste documentário podemos apreciar canções como  "Suicide Towers", "Twisting by the Pool""Sucker for Punishment" e  a canção Making Movies, que seriam gravadas neste álbum, porém, o destino mudou e ficou assim:

Suicide Towers ficou só como um tema instrumental (podemos ver eles ensaiando-a no documentário BBC Arena).

Twisting by the Pool foi gravada em 1982 em um EP chamado (ExtendedancEPlay), lançado em Janeiro de 1983. Dois pontos ainda sobre essa canção: 1- é que podemos ver partes de um vídeo-clipe desta canção com a formação original presente no documentário BBC Arena, justamente  algo que seria para o álbum Making Movies. 2- "Twisting by the Pool" já vinha sendo tocada ao vivo desde Setembro de 1979, da mesma forma, duas canções que mais tarde seriam gravadas para o álbum MM, como Solid Rock e Les Boys entre Novembro de e Dezembro de 1979, estas duas últimas, contidas no doc. BBC Arena.

Sucker for Punishment ficou apenas no caderno, Mark recita a letra novamente doc. BBC Arena.

A cereja do bolo eu diria que é a própria canção Making Movies.



Uma canção maravilhosa, mas foi "desconstruída" para dar a luz a duas canções, Expresso Love (o próprio riff da guitarra é muito parecido) e parte da letra deu origem a Skataway (Shes Making movies on location...)

Um grande sacrilégio desse álbum foi a canção lírica Hand in Hand  estranhamente nunca ter sido apresentada ao vivo, infelizmente, tal canção foi desprezada por Knoplfer, assim como a canção Communiqué um anos antes, isso iria se repetir com outras excelentes canções em sua carreira como: My Parties, Silvertown Blues, So Far from the Clyde... nem sempre se pode entender a mente de um gênio!

Uma coisa é certa sobre a canção Making Movies, tinha um riff marcante, muito estilo e identidade sonora, é uma pena ela não ter sido desenvolvida.

Enfim... Making Movies entre outras coisas, é o álbum mais roqueiro dos Dire Straits,  há quem ache que era isso que faltava nos dois primeiros álbuns, eu discordo completamente, pelo contrario, as propostas musicais dos dois primeiros deram origem a um estilo único, não há nada igual, nenhuma canção dos dois primeiros álbuns jamais soou com o frescor do quarteto original, SOS nunca mais foi a mesma depois que David e Pick saíram. Enquanto o ao terceiro álbum, e sua respectiva turnê, notavelmente foi o período de muita realização para Knopfler, pois ele fez exatamente o que queria fazer durante as gravações, e ao vivo, ao lado do Alan Clark, (depois de Knopfler, é sem dúvidas o principal responsável pela sonoridade da banda), trouxeram novos sabores e atmosferas e marcou de vez o Dire Straits como uma banda capaz de se reinventar ao vivo sem perder a qualidade, exemplos temos de sobra.


Brunno Nunes.



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Dire Straits

Dire Straits
A voz e a guitarra do Dire Straits ao vivo em Cologne, 1979