domingo, 15 de novembro de 2015

Nuances sobre Communqué tour 1979.



Saudações Knopflerianas

Gostaria de abordar alguns aspectos que considero importantes sobre a segunda turnê do Dire Straits, trazendo minhas perspectivas acerca de nuances sobre turnê do segundo álbum do Dire Straits, Communiqué, em 1979.





É minha turnê preferida, eu não abro mão do groove da formação original do Dire Straits. Para mim, a banda em seu quarteto original exprimia uma identidade e um estilo mais profundo do que qualquer outro momento de sua trajetória, a proposta musical e nuances encontradas aqui, apesar de simples em sua essência, são definitivas ao meu ver para definir o estilo Dire Straits.

Segundo o dicionário, Groove é um termo oriundo da língua inglesa que, no meio musical, é um sinônimo para "ritmo". Literalmente, significa "sulco". Provém da expressão "in the groove", ou seja, "no caminho". Este termo surgiu na década de 1930, em pleno auge do swing. As primeiras aparições do termo surgiram e foram gravadas por Wingy Manone, em 1936 (In the groove) e por Chick Webb, em 1939, em In The Groove, At The Groove.

A partir da aparição do funk nos anos 1950, o conceito de groove se associou cada vez mais a uma forma de tocar relacionada com o blues e a música gospel e, desde a metade da década de 1960, também com o soul. Nas décadas de 1980 e 1990, se vinculou ao acid jazz.

groove presente na formação original do Dire Straits é uma das coisas mais marcante na banda, isso foi se perdendo com a saída de dois membros fundadores e essenciais, como David Knopfler, (rhythm guitar), em 1980 e Pick Whiters (baterista), em 1982.  A canção Sultans of Swing soa quase como auto-biográfica, quando chega a última frase, "We are the sultans of swing", sempre associo a eles, eles sim eram os verdadeiros e legítimos Sultans of Swing!




Agora vamos adentrar na Communqué tour 1979.

Um pouco de arquelogia Knopfleriana:


Quando a turnê começou em Fevereiro de 1979, o primeiro álbum estava fazendo muito sucesso em vários países, os Estados Unidos os aguardavam com ansiedade e depois de fazerem alguns shows na Alemanha, eles chegaram nas terra do tio Sam e lá iniciaram uma turnê ousada e o saldo foi nada mais nada menos que 51 show em 38 dias! Sucesso total!

Entre Junho e Julho de 1979, depois de participarem de alguns festivais como da Europa como: Pink Pop Festival-Sportpark Geleen- The Netherlands (04.06.1979), Loreley Festival Frankfurt Germany (23.06.1979), Westfahlenhalle (Festival) Dortmund-Germany (24.06.1979), Deutschlandhalle (Festival) Berlin Germany  (29.06.1979), Olympiastadion (Festival) Munich Germany (01.07.1979),  Festival Torhout Belgium (07.07.1979) e Werchter Festival Brussels, Belgium (08.07.1979), o Dire Straits faz uma pausa de dois meses.






[Embora a turnê do Communiqué  tenha começado em Fevereiro de 1979, o álbum só foi lançado mundialmente em Junho de 1979, isso faz muita diferença, percebam que nesse período as pessoas só conheciam as canções do primeiro álbum, (a plateia presente no show Rockpalast 1979, ao se depararem com canções como Lady Writer, ou qualquer outra canção do Communiqué , estavam vendo algo que ainda não tinha sido lançado, nem eles e nem as plateias dos shows desse período tiveram uma apreciação prévia dessas canções, apenas das canções do primeiro LP.)]

Durante essa pausa, a banda descansou um pouco e foi um momento de criarem novas composições, foi nesse período que surgiram canções como Twisting b the Pool, In My Car, e Bernadette (escrita e interpretada por David Knopfler).

 Neste sentido, eu diria que a turnê do Communiqué realmente ganha corpo durante a segunda turnê Americana, (evidentemente o espirito dessa turnê já existia, entre Fevereiro a Julho de 79 a banda tinha um repertório mais variado do que em 1978). Com o tempo eu fui percebendo que até Julho de 1979, tudo que rolou foi quase como uma "extensão" da turnê do primeiro álbum, pois, ainda em Outubro de 1978 a banda já estavam apresentando algumas canções como: Once Upon a time in the West, Lady Writer (conferir o bootleg Rotterdam 78), e logo vieram no mesmo mês: Single Handed Saillor, News, Follow me Home e Where do you think you’re going (conferir bootlegs como Amsterdan 78 e Hamburg 78). Então, a banda já estava apresentando as pré-versões do que viria ser gravado para o segundo álbum- Communqué .






Eles retornariam a turnê exatamente no dia 08-09-1979 e fizeram a segunda turnê americana no mesmo ano. O bootleg Boston 1979 é um documento imprescindível, a meu ver, para se analisar alguns aspectos sobre esse período, é justamente nesse ponto da turnê que as coisas começam a mudar na banda. Surgem nos shows novas canções como Bernadette (escrita e cantada por David Knopfler) e In My Car (escrita e interpretada por Mark Knopfler), ambas presentes neste bootleg.
Se houve um período mais próximo ao que se pode compreender por democracia na banda, este foi o momento, um outro membro da banda assumindo o papel de vocalista e interpretando uma canção de sua autoria, quem mais poderia fazer isso, se não, o David Knopfler?



Aqui está um vídeo que eu editei postei em meu canal no youtube com um exemplar de uma versão da canção Bernadette, do bootleg New York- 11-09/1979.

O que era bom, agora estava melhor ainda, quando se analisa bootlegs como Boston 1979 ou New York 1979 é que se percebe a ápice da pujança e exuberância da banda, basta conferir as nuances presente nesses shows.

Vejamos o repertório do show em Boston 79, que é justamente o primeiro show dessa segunda passagem da banda pelos USA.





Down to the waterline
Six blade knife
Lady writer
Once upon a time in the west
News
Bernadette
What's the matter baby
In my car
Portobello belle
Wild west end
In the gallery
Lions
Sultans of swing
Setting me up
Southbound again
Where do you think you're going?
Eastbound train
Twisting by the pool


Observem as músicas destacadas, elas nunca tinham sido tocada antes nesta turnê.




In my car, é mais uma música da formação original que não foi longe, (infelizmente), assim como Bernadette e outras como Real Girl, Me and my Friends e Move it away, essas três últimas ficaram apenas no ano de 1978, contudo, são todas maravilhosas, sem dúvidas que ambas são também representantes da egrégora musical do quarteto original, basta analisar o formado e textura delas.


Existe uma linda ponte entre Portobello Belle e Wild West End, por sinal,essa é a primeira ponte entre canções do Dire Straits, outras famosas pontes podemos apreciar em: Down to the waterline e Lions (MM tour 80/81), Single handed sailor e Skateaway  (MM tour 80) ou Angel of Mercy e Tunnel of Love (MM tour 80/81), Romeo and Juliet e Love Over Gold (LOG tour 82/83) Angel of Mercy e Solid Rock (Final da Communiqué tour 1979)...




Gostaria de destacar ainda as insuperáveis versões de Setting me up, é bem provável que Mark Knopfler interprete esse tema com sua Gibson Les Paul especial- 1959. Isso é algo até curioso, pois sempre fala-se que nesse período as Fenders eram sempre presente, o que é verdade, mas, poucos fãs fala sobre a presença dessa guitarra nessa turnê. É notável uma certa mudança de timbre quando Setting me Up é tocada em 1979, já vi grandes fãs como Ingo Raven, (especialistas nas guitarras de MK, além de ser um profundo conhecedor da técnica usada por Knopfler) falando a respeito disso.





(Aqui está a foto da guitarra em questão)




A presença de Twisting by the pool é meio "surreal" nesse período, é sempre legal Mark falando sobre ela nesses shows, o clima de festa é notável, ele brinca fazendo o sotaque americano quando está explicando sobre ela, ele faz isso no bootleg New York 79. Ela vem ser a música de encerramento dos shows de Setembro até o final da turnê. E na medida em que a turnê vai chegando ao final, Twisting by the pool vai tendo uma curiosa e leve inclinação para o punk rock, com um ritmo mais acelerado, basta conferir a versão Cologne em Novembro de 1979.


É curioso notar que essa foi à única turnê em que o Dire Straits esteve duas vezes na América do Norte.

Enfim, o rompimento da relação de Mark e a cantora Holli Vincent em plena turnê americana é algo marcante e quase arruína a estrutura da banda, levando a Mark a uma mudança de comportamento para com todos fora dos palcos, o próprio Ed Bicknell (empresário do Dire Straits) cita em biografia autorizada que acreditava que a banda estava ao ponto de sofrer um colapso e acabar antes mesmo do fim da turnê.

É neste ponto que chamo atenção para uma famosa versão de Where do you think you're going, onde Mark interpreta com muita emoção, vide o incidente ocorrido nesse período do fim de sua relação com  Holli Vincent. Na única biografia autorizada, é citado que ele estava quase que chorando quando interpretou Where do you think you're going. Sabemos que isso ocorreu nesse período da segunda turnê americana, portanto, acredita-se que possa ser essa a versão citada no livro, basta ouvir e tirar suas conclusões.


]
(Orpheum, Boston, USA-8th September 1979)


Reparem bem no ponto em que ele canta a seguinte frase; (02:09)

"You say there is no reason
But you still find cause to doubt me
If you ain't with me girl
You're gonna be without me"

É de arrepiar!!!! A guitarra segue chorando por ele!


Contudo, em meio a toda essa tempestade, eles conseguiram concluir a turnê bravamente Não obstante, Solid Rock surge ainda na reta final da turnê do Communiqué como uma pré-versão do Making Movies, podemos contemplar em vídeo assistindo o maravilhoso documentário: BBC ARENA, ou em alguns bootlegs desse momento crucial da banda.






É notável a ausência de canções como Water of love e Follow me home nos shows disponíveis em bootlegs da segunda turnê americanaSingle handed sailor apesar de estranhamente não está presente no  bootleg Boston 79, está presente no bootleg New York 79 e Whashigton 79. Por outro lado, canções como Bernadette e Im My Car só vieram a luz apenas durante a segunda passagem pela banda nos USA, infelizmente, pois se tem algo que particularmente admiro bastante, foi David Knopfler interpretando uma canção de sua autoria, Bernadette.


Sobre a reta final da turnê do Communiqué , surgem mais novidades: Depois de passarem 1 mês nas Américas excursionando, a banda faz mais uma parada e nesse período, eles começam a ensaiar novos arranjos para canções que já vinham trabalhando, é o caso das novas roupagens para introduções em canções, alguns exemplos: Down to the waterline, (introdução mais longa, e ainda mais atmosférica, com direito a sons de buzina de navio mais definidos); Single handed sailor (a introdução com um clima de jam e um, final mais apoteótico); Follow me home (com uma introdução mais longa e misteriosa, nos faz lembrar algo de Private Investigations). De forma geral, todas as versões estão absurdamente mais potentes, com muita energia.

Um dos momentos marcantes desse período no final dessa turnê está em Angel of mercy Solid rock, a ponte entre ambas é algo curioso de conferir, além disso, Angel of mercy vem com uma nova roupagem, a começar de sua introdução, bem diferente, como vocês poderão perceber neste registro abaixo.







Agora dando um salto um pouco para trás, logo no comecinho dessa turnê, vejam como Angel of Mercy era tocada.






(DUSSELDORF 1979- 13th February 1979)

Percebam a presença de um slide na guitarra de Mark Knopfler, é algo bastante curioso de se notar, pois vem trazer um sabor que se difere tanto da versão de estúdio, como das posteriores.




(Aqui está a prova, essa imagem diz tudo, Mark e sua guitarra de 12 cordas, Burns Baldwin Double Six, está usando um slide de metal. Sabemos que não pode ser outra canção a não ser a própria  Angel of Mercy, pois Water of Love é tocada com a black Telecaster Thinline.



Solid rock sendo executada em sua forma original, com a primeira formação, numa atmosfera menos "densa" que as versões das turnês seguintes. Ela está mais fresca (no melhor sentido da palavra) pois não há sintetizadores, pianos ou teclados, bem seca e mais Rock'n Roll!








 Detalhe para o arranjo final, os backing vocal de David e John, fazendo uma linda harmonia bem característica dessa fase da banda. Esse mesmo arranjo foi ressuscitado nas versões da OES Tour 91/92, no entanto, ao invés de ser backing vocal, são as guitarra e sax que fazem essa mesma harmonia, por enquanto fiquem com essa versão!


Observem as canções que foram tocadas durante a turnê:

Típico setlist

Down to the waterline
Six blade knife
Once upon a time in the west
Lady writer
Single handed sailor
Water of love
In the gallery
Follow me home 
News
What's the matter baby
Lions
Sultans of swing
Wild west end
Where do you think you're going?
Eastbound train
Southbound again

Outras cancões interpretadas:

Angel of mercy
Portobello Belle
Nadine
Setting me up
Bernadette
Im My Car
Twisting by the Pool
Solid Rock
Les Boys






Para abrilhantar este espaço, aqui eu deixo um documento exclusivo, do fundo do baú, para não perder o costume!

Ultra raro- Dire Straits ao vivo em Johanneshov Stockholm Sweden- 23.11.1979.

Este documento provém de uma câmera Super 8 milímetros, em seguida, convertido para DVD.
Para quem gostaria de apreciar uma verdadeira raridade de sua banda preferida.

Eu mesmo fiz a edição, espero que apreciem esse registro raro da banda com uma típica versão de Lady writer exatamente desse ponto da turnê. Observem a energia da banda, há algo de visceral na interpretação da canção, (comparem por exemplo com a versão do Rockpalast, que é bem do início dessa turnê), algo bem característico dos shows desse momento da banda, basta ouvir qualquer bootleg de Novembro de 79 e encontrar sempre powerful versions.  






Brunno Nunes.

2 comentários:

tchururu disse...

Parabéns pelo excelente trabalho e pela sua dedicação. Esse blog é um presente para os fãs do DS e do MK. Obrigado!

Brunno Nunes disse...

Caro amigo, fico feliz que tenhas gostado, é um prazer dividir minhas perspectivas sobre esse lindo sonho que é o Dire Straits!
Obrigado pelo reconhecimento, eu dei uma paradinha de postar justamente porque não havia diálogo, tava tudo ao vento, dessa forma, havendo dialogo, reconhecimento, a gente se sente estimulado a produzir pensamentos e considerações!

Um abraço!!!

Dire Straits

Dire Straits
A voz e a guitarra do Dire Straits ao vivo em Cologne, 1979