quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

LOG tour- 1982-1983- Símbolos






Como havia prometido que voltaria em breve com mais detalhes sobre essa magnifica turnê, aqui estão alguns elementos importantes sobre esse período do Dire Straits e que gostaria de dividir com vocês.

No especial que fiz recentemente sobre a LOG tour, eu havia deixando já algumas previas do que iria tratar com mais profundidade neste tópico de agora, eu havia citado sobre a estreai de um certo "modus operandis" que nascia nesse período e que iria marcar profundamente a banda. Separei 5 tópicos marcantes, vamos a eles!







1- Dois tecladistas: É nessa turnê que pela primeira vez surge nos palcos do Dire Straits dois tecladistas, que vão trazer mais atmosferas para as canções. Agora a banda contava com Tommi Mandel, tecladista novaiorquino, que na turnê seguinte foi substituído por Guy Fletcher. Tommy sempre mostrou-se um cara animado em cena com o Dire Straits, apesar dos poucos vídeos com ele na banda, mas o clipe de Twistting by the Poll é bem emblemático com aquela dancinha louca que ele faz!





Mas, o que realmente interessa nesse contexto é o formato, anatomia da banda, como ela vai ganhando outra forma nessa turnê, ouçam Once Upon a Time in the West na MM tour 80/81 e em seguida n LOG tour 82/83, percebam que baita up ocorre com a adição de um segundo tecladista, a meu ver, essa é a canção chave inicial para se perceber essa sutileza da adição de mais um tecladista na banda.



2- Trilha sonora- (LOCAL HERO): Isso é um dos pontos mais extraordinários que vai acontecer com o Dire Straits. Essa trilha sonora foi desenvolvida logo após o álbum LOG está concluído, razão pela qual o álbum e a trilha se harmonizam divinamente, como se Knopfler tivesse indo buscar as inspirações em um mesmo lugar no astral. Suas canções já  possuíam um teor cinematográfico, isso já era evidente, mas, após Knopfler fazer seu primeiro experimento em trilhas sonoras, (que já começou épico, pois Local Hero é um filme bem legal, mas, a trilha sonora desse filme é bem mais brilhante do que o enredo), Knopfler trouxe para o Dire Straits elementos dessa experiência e aplicou isso nos shows ao vivo.



É neste ponto que gostaria de destacar como uma força criativa chamada Alan Clark foi fundamental para que tudo fosse do jeito que conhecemos. Podemos perceber nuances, no mínimo, bastantes curiosas. Observando atentamente qualquer show na íntegra da turnê do Love Over Gold em 1982/1983, percebemos que a banda abria seus concertos com o tema, Stargazer, a antepenúltima faixa da trilha Local Hero. Essa canção foi usada durante todas as aberturas de shows desse período, (isso se estendeu até a primeira parte da turnê do BIA em 1985, os concertos ainda eram abertos com essa faixa). Isso em si é algo muito significativo quanto a um salto qualitativo das turnês anteriores para a turnê em questão, a introdução de um novo elemento sonoro na banda ao se apresentar para seu público, isso deu um charme a mais, um baita up, Stargazer é imponente, é como "as trombetas dos anjos" anunciando o reino dos céus chegando na Terra. (Tenho certeza que a sensação é essa para todos nós quando estamos apreciando o Dire Straits, é como estar no paraíso!) =D


Ainda sobre a trilha sonora e sobre a força criativa de Alan Clark, vejam só vocês como ele consegue trazer para uma canção muita sutileza, dando novas texturas:

Deixo o seguinte exemplo: Once Upon A Time In The West (Alchemy Live)



Percebam os 15 primeiros segundos, esse trechinho de 15 segundos só acontece nas versões de 1983, qualquer versão de 1982 a 1980, a canção inicia com o que ouvimos no ponto 15 segundos. Você pode se perguntar, e dai, isso é bobagem, e eu lhe digo que a pergunta que deveria ser feita é... de onde veio isso? (É assim que eu penso, por isso escrevo tantos detalhes...). Bom, você poderá ouvir esse mesmo pequeno trecho de 15 segundos da introdução de OUAITW  do Alchemy em Going Home- Theme of Local Hero também do mesmo show, no ponto 1:18 min.



Isso é nada mais nada menos um trechinho de Rocks & Thunder, se você reparar bem, essa é a única canção que se repete na trilha sonora de Local Hero, ela surge no começo e no fim da trilha. A mesma dinâmica ocorre nos shows da LOG tour, vemos um pequeno trecho de Rocks & Thunder no início de Once Upon A Time In The West e e de Going Home- Theme of Local Hero. O lance é que o Alan Clark é quem cria essa passagem nova para o tema Rocks & Thunder ao vivo, em estúdio, a canção não vem com aquele arranjo presente nos primeiros 15 segundos de OUATITW ao vivo em 1983.

Então, existem pelo menos três elementos da trilha sonora que estão presentes no setlist dessa turnê:  Stargazer, Rocks & Thunder e  Going Home- Theme of Local Hero.

São nuances e elementos que vão criar corpo e atmosfera dessa turnê, revelando um novo Dire Straits, possivelmente, seu melhor momento e formato!


3- A entrada de um novo instrumento, Saxofone:

É outro ponto interessante e impactante quando consideramos o contexto histórico, é interessante notar que o sax surge sempre depois da primeira metade do show, justamente em uma canção inédita nesse período, Two Young Lovers, mas é em Portobello Belle que uma coisa muito nova vai acontecer.





Uma das coisas mais lindas que já vi no Dire Straits em termos de atmosfera é exatamente esse final de Portobello Belle feito por Mel Collins durante a LOG tour- 1983. Belíssimo, ele é o meu predileto saxofonista. O protagonismo de Mel Collins em Portobello Belle é um show de lindas frases duelando com a guitarra de Mark Knopfler. A ausência desse momento no lançamento do  DVD show Alchemy é um dos maiores pecados que uma banda poderia fazer com seus fãs, muito lamentável que até hoje não pudemos apreciar esse momento em vídeo, pois foi filmado, na edição sobrou esse trechinho acima, durante muito tempo eu pensava que era um arranjo para Tunnel Of Love, mas somente ao me deparar com um bootleg da LOG toure na integra é que pude compreender melhor muitas coisas dessa turnê, foi ai que vi que isso se tratava do final de Portobello Belle fazendo uma ponte com Tunnel Of love.





Aqui vocês vão entender isso melhor, a meu ver é a grande cereja do bolo dessa turnê, no tocante ao setlist e arranjo para uma canção. Como havia citado no espcial sobre essa turnê, Portobello Belle atingira o seu ápice nesse período em uma versão definitiva, é quase uma materialização da letra, verdadeiramente e genuinamente um Reggae Irlandês,(como Mark sempre cita enquanto está introduzindo essa canção) com pitadas de música caribenha e certamente, uma boa pitada da música JAMAICANA Calypso.


O sax permanece até certo ponto da introdução de Tunnel os Love e só reaparece no final de Solid Rock e durante Going Home.


4- A bandana ou faixa na testa- Mais um novo elemento, simples, porém marcante, virou uma especie de marca registrada, a combinação de blazer com assessórios de jogadores de tênis, a faixa ou bandana e as munhequeiras, algo que ganhou grande destaque, observe que outros membros da banda usam as munhequeiras, Jonh e Hal. Os Blazers já eram uados na turnê passada, as munhequeiras já nasceu com a banda, 1978 Knopfler já aparecia.


A caricatura de Mark Knoplfer na capa da coletânea Money for Nothing é muito simbólica sobre o contexto imagem e identidade da banda.



5- Final dos concertos: É algo curioso, a banda encerra com o tema principal de sua recém trilha sonora, com Going Home- Theme of Local Hero, nesse ponto, ocorre algo quase soa teatral: os roadies entram em palco e começam apressadamente a desmontar o equipamento. Sobre isso, Knopfler explica: “Um concerto pode ser uma experiência muito poderosa. No passado, reparei que as pessoas podem alcançar tamanho entusiasmo que saem do espetáculo com a energia ainda a fervilhar e sem lugar onde a focalizarem. Decidimos, propositadamente, anular esse poder e deixar que as pessoas fossem embora de modo mais gentil.”







Enfim, apresentei-vos 5 símbolos marcantes que surgiram nesse período da banda e que fazem a turnê do Love Over Gold ainda mais especial. São elementos que vieram surgir nessa fase da banda e ficaram até a última turnê e alguns deles seguiu até na carreira solo de Knopfler.

Espero que tenham gostado, e não deixem de comentar.

Brunno Nunes.


3 comentários:

Asouza disse...

Excelente análise, valeu!

Anônimo disse...

Perfeita resenha.
A maior ironia dessa turnê, na minha opinião, é que a canção que dá título também ao album não teve destaque e desdobramentos/versões que merecia.

iomar

Miguel Gomes disse...

Muito bom!

Dire Straits

Dire Straits
A voz e a guitarra do Dire Straits ao vivo em Cologne, 1979